OMS alerta para aumento global de casos de dengue

Por seforutil.com | Publicado em 02 de abril de 2026

Foto de mosquito transmissor de doenças

OMS emite alerta sobre o aumento global de casos de dengue. Cresce a preocupação das autoridades de saúde com a expansão da doença em diversos países.

Crescimento alarmante da dengue em escala mundial

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta global sobre o aumento expressivo dos casos de dengue em 2024 e início de 2025. Segundo dados divulgados pela entidade, o número de infecções registradas em todo o mundo atingiu níveis recordes, com mais de 6,5 milhões de casos confirmados e mais de 7 mil mortes relatadas até o final de 2024. O crescimento é atribuído a fatores como mudanças climáticas, urbanização desordenada, aumento das viagens internacionais e falhas no controle do mosquito Aedes aegypti, vetor da doença.

Regiões mais afetadas

De acordo com o relatório da OMS, as Américas concentram mais de 80% dos casos globais, com destaque para Brasil, Peru, Colômbia e México. O Brasil, em particular, registrou o maior número de casos da história, ultrapassando 3 milhões de notificações em 2024, segundo o Ministério da Saúde. A Ásia também enfrenta surtos significativos, especialmente em países do Sudeste Asiático, como Filipinas, Vietnã, Indonésia e Tailândia. Na África, regiões como Sudão e Etiópia começaram a registrar aumento expressivo de casos, o que preocupa especialistas pela fragilidade dos sistemas de vigilância epidemiológica.

Fatores climáticos e ambientais

Estudos recentes publicados em revistas científicas como The Lancet Planetary Health e Nature Communications apontam que o aumento das temperaturas médias globais e a intensificação de eventos climáticos extremos, como El Niño, criam condições ideais para a proliferação do Aedes aegypti. O mosquito se reproduz mais rapidamente em ambientes quentes e úmidos, e o aumento das chuvas em áreas urbanas favorece o acúmulo de água parada, essencial para o ciclo de vida do vetor.

Pesquisas conduzidas pela Universidade de Oxford e pela London School of Hygiene & Tropical Medicine indicam que, até 2080, mais de 60% da população mundial poderá estar exposta ao risco de infecção por dengue, caso as tendências climáticas atuais se mantenham.

Novas variantes e coinfecções

A OMS também destacou a circulação simultânea dos quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) em diversos países, o que aumenta o risco de formas graves da doença, como a dengue hemorrágica. Estudos recentes realizados no Brasil e na Colômbia identificaram mutações genéticas em cepas do DENV-2, associadas a maior virulência e transmissibilidade.

Além disso, há preocupação com coinfecções envolvendo dengue, zika e chikungunya, transmitidas pelo mesmo vetor. Pesquisas publicadas em PLOS Neglected Tropical Diseases mostram que essas coinfecções podem agravar o quadro clínico e dificultar o diagnóstico preciso.

Resposta global e estratégias de controle

A OMS reforçou a necessidade de fortalecer os programas de vigilância epidemiológicaampliar o acesso a diagnósticos rápidos e investir em campanhas de conscientização sobre eliminação de criadouros. A entidade também destacou o papel das vacinas como ferramenta complementar no combate à doença.

Em 2023, a vacina Qdenga (TAK-003), desenvolvida pela farmacêutica Takeda, foi aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e pela Anvisa no Brasil. Estudos clínicos publicados no New England Journal of Medicine demonstraram eficácia média de 80% na prevenção de casos sintomáticos e redução significativa de hospitalizações. No entanto, a OMS ressalta que a vacinação deve ser integrada a estratégias de controle vetorial e não substitui medidas preventivas tradicionais.

Desafios e perspectivas

Especialistas alertam que o combate à dengue exige uma abordagem multissetorial, envolvendo políticas públicas de saneamento, gestão ambiental e educação em saúde. A urbanização acelerada e a falta de infraestrutura adequada em áreas periféricas continuam sendo fatores determinantes para a persistência da doença.

A OMS planeja lançar, ainda em 2026, um novo plano global de enfrentamento às arboviroses, com foco em inovação tecnológica, vigilância genômica e cooperação internacional. O objetivo é reduzir em 50% o número de casos graves e mortes por dengue até 2030.

Conclusão

O aumento global dos casos de dengue representa um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade. A combinação de fatores climáticos, sociais e biológicos cria um cenário complexo que exige respostas rápidas e coordenadas. A OMS reforça que a prevenção continua sendo a principal arma contra a doença, e que o engajamento da população, aliado à ciência e à cooperação internacional, será essencial para conter a expansão da dengue nas próximas décadas.