Por seforutil.com | Última atualização em 27/03/2026

Descubra os tratamentos mais eficazes para os sintomas da menopausa, baseados em evidências científicas e nas abordagens médicas mais atuais.
Introdução
A menopausa é um processo fisiológico caracterizado pela cessação permanente da menstruação, resultante da perda da função folicular ovariana. Ocorre, em média, entre os 45 e 55 anos, e está associada a uma série de sintomas decorrentes da queda dos níveis de estrogênio e progesterona. Entre os sintomas mais comuns estão ondas de calor, suores noturnos, alterações de humor, insônia, secura vaginal e perda de massa óssea. O manejo desses sintomas é fundamental para a qualidade de vida das mulheres nessa fase. Este artigo apresenta uma revisão abrangente dos principais tratamentos disponíveis, com base em evidências científicas publicadas.
Terapia hormonal da menopausa (THM)
A terapia hormonal é considerada o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores e geniturinários da menopausa.
Evidências científicas
Estudos como o Women’s Health Initiative (WHI) e o Million Women Study avaliaram amplamente os riscos e benefícios da THM. Segundo o WHI (Rossouw et al., JAMA, 2002), a terapia combinada de estrogênio e progesterona reduz significativamente os sintomas vasomotores, mas pode aumentar o risco de tromboembolismo venoso e câncer de mama em uso prolongado. Já o uso isolado de estrogênio em mulheres histerectomizadas mostrou menor risco relativo.
Indicações e cuidados
A THM é indicada para mulheres com sintomas moderados a graves, sem contraindicações como histórico de câncer de mama, trombose venosa profunda ou doença hepática ativa. A via de administração (oral, transdérmica, vaginal) deve ser individualizada. A North American Menopause Society (NAMS, 2023) recomenda o uso da menor dose eficaz pelo menor tempo necessário.
Terapias não hormonais
Para mulheres que não podem ou não desejam utilizar hormônios, existem alternativas farmacológicas e não farmacológicas com respaldo científico.
Antidepressivos e moduladores de neurotransmissores
Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e noradrenalina (ISRN), como venlafaxina, paroxetina e escitalopram, demonstraram eficácia na redução das ondas de calor (Freeman et al., Menopause, 2011). A gabapentina e a pregabalina também são opções eficazes, especialmente para sintomas noturnos.
Fitoterápicos e fitoestrogênios
Compostos derivados da soja (isoflavonas), Cimicifuga racemosa (black cohosh) e Trifolium pratense (trevo-vermelho) têm sido amplamente estudados. Revisões sistemáticas (Lethaby et al., Cochrane Database, 2013) indicam resultados variáveis, com benefícios modestos e segurança aceitável em curto prazo. No entanto, a variabilidade na composição dos produtos limita a padronização dos resultados.
Terapias cognitivo-comportamentais (TCC)
A TCC tem se mostrado eficaz na redução da percepção dos sintomas vasomotores e na melhora do sono e do humor (Hunter et al., Menopause, 2015). Essa abordagem é recomendada como parte de um plano terapêutico multidisciplinar.
Tratamentos para sintomas geniturinários
A síndrome geniturinária da menopausa (SGM) inclui secura vaginal, dispareunia e infecções urinárias recorrentes.
Terapias locais
O uso de estrogênio vaginal em cremes, anéis ou comprimidos é altamente eficaz e seguro, com absorção sistêmica mínima (Suckling et al., Cochrane Database, 2006). Alternativas não hormonais incluem hidratantes e lubrificantes vaginais à base de ácido hialurônico.
Laser vaginal e radiofrequência
Estudos recentes (Salvatore et al., Climacteric, 2018) sugerem que o laser de CO₂ fracionado e a radiofrequência podem melhorar a elasticidade e a lubrificação vaginal, embora ainda faltem evidências robustas de longo prazo.
Saúde óssea e cardiovascular
A queda estrogênica aumenta o risco de osteoporose e doenças cardiovasculares.
Prevenção e tratamento
A suplementação de cálcio e vitamina D, associada à prática regular de exercícios de resistência, é recomendada para manutenção da densidade óssea. Medicamentos como bisfosfonatos e denosumabe são indicados em casos de osteoporose estabelecida (Kanis et al., Osteoporosis International, 2019).
A THM também pode ter efeito protetor cardiovascular quando iniciada precocemente, conforme a “janela de oportunidade” descrita por Manson et al. (New England Journal of Medicine, 2013).
Abordagens complementares e estilo de vida
Mudanças no estilo de vida desempenham papel essencial no manejo dos sintomas.
✔ Atividade física regular: melhora o humor, o sono e a saúde cardiovascular.
✔ Alimentação equilibrada: rica em frutas, vegetais e ácidos graxos ômega-3.
✔ Controle do estresse: técnicas de mindfulness e meditação reduzem sintomas psicológicos.
✔ Cessação do tabagismo: reduz risco cardiovascular e melhora a resposta terapêutica.
Considerações finais
O tratamento dos sintomas da menopausa deve ser individualizado, considerando a intensidade dos sintomas, o perfil de risco e as preferências da paciente. A terapia hormonal continua sendo o padrão-ouro para sintomas vasomotores e geniturinários, mas alternativas não hormonais e abordagens integrativas oferecem opções seguras e eficazes. A decisão terapêutica deve ser baseada em evidências científicas atualizadas e em acompanhamento médico contínuo.
Referências:
▪ Rossouw JE et al. JAMA. 2002;288(3):321–333.
▪ Lethaby A et al. Cochrane Database Syst Rev. 2013;(12):CD001395.
▪ Freeman EW et al. Menopause. 2011;18(8):826–834.
▪ Hunter MS et al. Menopause. 2015;22(1):59–66.
▪ Suckling J et al. Cochrane Database Syst Rev. 2006;(4):CD001500.
▪ Salvatore S et al. Climacteric. 2018;21(4):379–385.
▪ Kanis JA et al. Osteoporosis International. 2019;30(1):3–44.
▪ Manson JE et al. N Engl J Med. 2013;368(19):1790–1801.
▪ North American Menopause Society (NAMS). Position Statement. 2023.
