Por seforutil.com | Publicado em 27 de março de 2026

Revisão atualizada sobre pólipo endometrial, abordando diagnóstico, tratamento e evidências científicas recentes para a prática clínica ginecológica.
Introdução
O pólipo endometrial é uma lesão benigna caracterizada pelo crescimento focal da mucosa endometrial, composta por glândulas, estroma e vasos sanguíneos. É uma das causas mais comuns de sangramento uterino anormal em mulheres na menacme e no período pós-menopausa. Estudos indicam que sua prevalência varia entre 7% e 35% em mulheres com sintomas ginecológicos, sendo frequentemente diagnosticado por ultrassonografia transvaginal ou histeroscopia.
Epidemiologia
A incidência de pólipos endometriais aumenta com a idade, sendo mais comum entre os 40 e 60 anos. Fatores de risco incluem obesidade, hipertensão arterial, uso de tamoxifeno, terapia hormonal estrogênica sem oposição e síndrome dos ovários policísticos. Pesquisas publicadas em revistas como Human Reproduction Update e Obstetrics & Gynecology demonstram que o uso prolongado de tamoxifeno pode aumentar o risco de pólipos em até quatro vezes.
Fisiopatologia
Os pólipos endometriais resultam de uma proliferação monoclonal de células do estroma endometrial, frequentemente associada a alterações hormonais locais. Estudos moleculares identificaram mutações em genes como KRAS, PIK3CA e PTEN, sugerindo um componente genético na sua formação. O estrogênio desempenha papel central, promovendo a proliferação glandular e estromal, enquanto a deficiência de progesterona pode contribuir para o crescimento persistente da lesão.
Classificação
Os pólipos endometriais podem ser classificados de acordo com:
✔ Número: único ou múltiplo.
✔ Localização: corpo uterino, fundo ou região ístmica.
✔ Composição histológica: funcional, hiperplásico, atrófico ou misto.
A histeroscopia permite a avaliação direta da morfologia, sendo possível identificar pólipos sésseis ou pediculados.
Manifestações clínicas
O sintoma mais comum é o sangramento uterino anormal, que pode se manifestar como menorragia, metrorragia ou sangramento pós-menopausa. Em mulheres em idade fértil, os pólipos também podem estar associados à infertilidade e falhas de implantação embrionária. Estudos publicados no Journal of Minimally Invasive Gynecology demonstram melhora significativa nas taxas de gravidez após a polipectomia em pacientes com infertilidade inexplicada.
Diagnóstico
O diagnóstico é baseado em métodos de imagem e avaliação histológica.
Ultrassonografia transvaginal
É o exame inicial de escolha. O pólipo aparece como uma imagem hiperecogênica focal dentro da cavidade endometrial, frequentemente com um vaso central visível ao Doppler colorido. A sensibilidade varia entre 80% e 90%.
Sonohisterografia
A infusão de solução salina na cavidade uterina aumenta a acurácia diagnóstica, permitindo melhor delimitação da lesão. Estudos mostram sensibilidade de até 95% e especificidade de 88%.
Histeroscopia
Considerada o padrão-ouro, permite visualização direta e remoção simultânea do pólipo. A histeroscopia diagnóstica tem sensibilidade e especificidade próximas de 100%, segundo revisões sistemáticas publicadas na Cochrane Database.
Avaliação histopatológica
A confirmação diagnóstica é feita por análise histológica, essencial para excluir malignidade. A presença de atipias glandulares ou estromais requer investigação adicional.
Potencial de malignização
Embora a maioria dos pólipos endometriais seja benigna, há risco de transformação maligna, especialmente em mulheres pós-menopáusicas. A literatura indica uma taxa de malignidade entre 0,5% e 4,8%. Fatores associados incluem idade avançada, sangramento pós-menopausa, obesidade, uso de tamoxifeno e tamanho do pólipo superior a 1,5 cm. Estudos publicados no International Journal of Gynecological Pathology destacam que pólipos com atipia endometrial coexistente apresentam risco significativamente maior de carcinoma endometrioide.
Tratamento
O tratamento depende da sintomatologia, idade e fatores de risco da paciente.
Conduta expectante
Pode ser considerada em mulheres jovens, assintomáticas e com pólipos menores que 1 cm. Estudos longitudinais mostram regressão espontânea em até 25% dos casos.
Polipectomia histeroscópica
É o tratamento de escolha. Permite remoção completa e análise histológica. Revisões sistemáticas demonstram taxas de recorrência inferiores a 10% após ressecção completa. O uso de histeroscópios de pequeno calibre e técnicas sem anestesia tem ampliado a aplicabilidade ambulatorial do procedimento.
Tratamento Hormonal
O uso de progestagênios ou dispositivos intrauterinos liberadores de levonorgestrel pode reduzir o risco de recorrência, especialmente em pacientes com hiperestrogenismo.
Prognóstico e seguimento
O prognóstico é excelente após a remoção completa. O seguimento deve incluir avaliação clínica e ultrassonográfica periódica, especialmente em pacientes com fatores de risco para recorrência. Em casos de pólipos associados a hiperplasia atípica, recomenda-se acompanhamento mais rigoroso e, eventualmente, histerectomia.
Conclusão
O pólipo endometrial é uma condição comum e geralmente benigna, mas que requer avaliação cuidadosa devido ao potencial de malignização em subgrupos específicos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado, preferencialmente por histeroscopia, garantem excelente prognóstico e melhora significativa dos sintomas. A integração entre métodos de imagem, histeroscopia e análise histopatológica é essencial para o manejo individualizado e baseado em evidências.
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