Menorragia: causas, diagnóstico e tratamentos

Por seforutil.com | Publicado em 28 de março de 2026

Foto de mulher com dores menstruais (Menorragia)

Descubra as causas da menorragia, métodos de diagnóstico e as abordagens terapêuticas mais atuais para tratar o sangramento menstrual excessivo com eficácia.

Introdução

A menorragia, também conhecida como sangramento menstrual excessivo, é uma das queixas ginecológicas mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva. Caracteriza-se por perda sanguínea menstrual superior a 80 ml por ciclo ou duração do sangramento superior a sete dias. Estudos recentes indicam que a menorragia afeta entre 9% e 14% das mulheres, impactando significativamente a qualidade de vida, produtividade e saúde mental.

Fisiopatologia

A menorragia pode resultar de alterações estruturais, hormonais, hematológicas ou iatrogênicas. A classificação FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) de 2018, conhecida como sistema PALM-COEIN, categoriza as causas em estruturais (Pólipo, Adenomiose, Leiomioma, Malignidade e hiperplasia) e não estruturais (Coagulopatia, Disfunção ovulatória, Endometrial, Iatrogênica e Não classificada).

Causas estruturais

Pólipos endometriais: crescimentos benignos que podem causar sangramento irregular e abundante.
Adenomiose: infiltração do endométrio no miométrio, associada a útero aumentado e dismenorreia.
Leiomiomas (miomas): tumores benignos do músculo uterino, especialmente os submucosos, frequentemente relacionados à menorragia.
Malignidade e hiperplasia endometrial: causas menos comuns, mas de alta relevância clínica, especialmente em mulheres acima de 40 anos.

Causas não estruturais

Coagulopatias: distúrbios como doença de von Willebrand e trombocitopenias podem estar presentes em até 20% das adolescentes com menorragia.
Disfunção ovulatória: comum em adolescentes e perimenopausa, devido à anovulação e desequilíbrio estrogênio-progesterona.
Alterações endometriais: defeitos locais na hemostasia endometrial e inflamação crônica.
Causas iatrogênicas: uso de anticoagulantes, dispositivos intrauterinos de cobre e terapias hormonais.
Causas não classificadas: incluem anormalidades vasculares e inflamatórias rara.

Diagnóstico

O diagnóstico da menorragia requer abordagem clínica detalhada e exames complementares direcionados.

Avaliação clínica

História menstrual detalhada (duração, volume, regularidade).
Sintomas associados (fadiga, dor pélvica, coágulos).
História familiar de distúrbios hemorrágicos.
Exame físico e ginecológico completo.

Exames laboratoriais

Hemograma completo e ferritina sérica para avaliar anemia.
Testes de coagulação (TP, TTPa, dosagem de fator de von Willebrand).
Dosagens hormonais (TSH, prolactina, FSH, LH) quando indicado.
Teste de gravidez em mulheres em idade fértil.

Exames de imagem

Ultrassonografia transvaginal: exame de primeira linha para avaliação uterina e anexial.
Histeroscopia: indicada para investigação de anormalidades intracavitárias.
Ressonância magnética: útil em casos complexos, especialmente para diagnóstico de adenomiose.

Tratamento

O manejo da menorragia depende da causa subjacente, idade, desejo reprodutivo e gravidade dos sintomas. As abordagens incluem terapias farmacológicas, procedimentos minimamente invasivos e cirurgias definitivas.

Tratamento farmacológico

Antifibrinolíticos (ácido tranexâmico): reduzem o sangramento em até 50%.
Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): diminuem a produção de prostaglandinas e reduzem o fluxo menstrual.
Terapia hormonal combinada: pílulas anticoncepcionais, adesivos ou anéis vaginais regulam o ciclo e reduzem o volume menstrual.
Progesterona oral ou injetável: indicada em casos de anovulação.
Dispositivo intrauterino liberador de levonorgestrel (DIU-LNG): considerado tratamento de primeira linha, reduzindo o sangramento em até 90% após seis meses de uso.
Análogos do GnRH: usados temporariamente em casos refratários ou pré-operatórios.

Tratamento cirúrgico

Ablação endometrial: destruição do endométrio, indicada para mulheres sem desejo reprodutivo.
Miomectomia: remoção de miomas preservando o útero.
Histerectomia: tratamento definitivo, reservado para casos graves ou refratários.
Embolização das artérias uterinas: alternativa minimamente invasiva para miomas sintomáticos.

Complicações

A menorragia não tratada pode levar à anemia ferropriva, fadiga crônica, comprometimento cognitivo e impacto psicológico significativo. Estudos recentes também associam a menorragia crônica à redução da produtividade laboral e aumento de custos com saúde.

Atualizações recentes

Pesquisas publicadas entre 2022 e 2024 destacam avanços no entendimento molecular da hemostasia endometrial e no papel das citocinas inflamatórias. Estudos clínicos recentes demonstraram eficácia superior do DIU-LNG em comparação com terapias hormonais orais, com melhor adesão e satisfação das pacientes. Além disso, novas técnicas de ablação endometrial por radiofrequência e crioterapia têm mostrado resultados promissores em termos de segurança e controle do sangramento.

Prognóstico

Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, o prognóstico da menorragia é favorável. A escolha terapêutica individualizada, baseada em evidências e preferências da paciente, é essencial para o sucesso clínico e melhora da qualidade de vida.

Conclusão

A menorragia representa um desafio clínico multifatorial que exige abordagem diagnóstica sistemática e tratamento personalizado. O avanço das terapias hormonais, dispositivos intrauterinos e técnicas minimamente invasivas tem transformado o manejo dessa condição, reduzindo a necessidade de intervenções cirúrgicas radicais e melhorando os desfechos clínicos e psicossociais das pacientes.