Amenorreia: causas, diagnóstico e tratamentos

Por seforutil.com | Publicado em 28 de março de 2026

Foto representando Amenorreia

Entenda as causas da amenorreia, métodos de diagnóstico e as abordagens terapêuticas mais atuais para restaurar o equilíbrio hormonal e a saúde menstrual.

Introdução

A amenorreia é definida como a ausência de menstruação em mulheres em idade reprodutiva. Pode ser classificada como primária, quando a menstruação nunca ocorreu até os 15 anos, ou secundária, quando há interrupção dos ciclos menstruais por três meses consecutivos em mulheres previamente menstruadas. Essa condição não é uma doença em si, mas um sintoma que reflete alterações fisiológicas, anatômicas, endócrinas ou psicológicas. Estudos recentes destacam a importância de uma abordagem multidisciplinar para o diagnóstico e tratamento, considerando fatores hormonais, metabólicos e ambientais.

Classificação
 
Amenorreia primária:
Ausência de menarca até os 15 anos com desenvolvimento sexual secundário normal.
Ausência de menarca até os 13 anos sem desenvolvimento sexual secundário.
Amenorreia secundária:
Ausência de menstruação por três ciclos consecutivos ou mais de seis meses em mulheres com ciclos previamente regulares.
 

Etiologia

As causas da amenorreia são amplas e podem ser divididas em categorias anatômicas, endócrinas, genéticas e funcionais.

1. Causas hipotalâmicas

Amenorreia hipotalâmica funcional (AHF): associada a estresse, perda de peso, exercício físico intenso e distúrbios alimentares.
Deficiência de GnRH: pode ser congênita (síndrome de Kallmann) ou adquirida. 
Estudos recentes (Frontiers in Endocrinology, 2023) destacam o papel da leptina e do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal na regulação da função menstrual, mostrando que baixos níveis de leptina reduzem a secreção pulsátil de GnRH.

2. Causas hipofisárias

Hiperprolactinemia: frequentemente causada por prolactinomas, medicamentos dopaminérgicos ou hipotireoidismo.
Síndrome de Sheehan: necrose hipofisária pós-parto. Pesquisas publicadas no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism (2022) reforçam o uso da ressonância magnética para diagnóstico precoce de microadenomas hipofisários.

3. Causas ovarianas

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): causa mais comum de amenorreia secundária, associada à resistência à insulina e hiperandrogenismo.
Falência ovariana prematura (FOP): insuficiência ovariana antes dos 40 anos, podendo ter origem genética, autoimune ou iatrogênica. Estudos de 2024 indicam que mutações nos genes FOXL2 e BMP15 estão associadas à FOP idiopática.

4. Causas uterinas e genitais

Síndrome de Asherman: aderências intrauterinas após curetagem ou infecção.
Anomalias congênitas: agenesia mülleriana (síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser). A histeroscopia diagnóstica é considerada o padrão-ouro para avaliação de aderências uterinas, conforme revisão sistemática publicada na Human Reproduction Update (2023).

5. Causas sistêmicas e outras

Doenças crônicas (diabetes, insuficiência renal, doenças autoimunes).
Uso de medicamentos (antipsicóticos, anticonvulsivantes, contraceptivos hormonais).
Distúrbios da tireoide e glândulas adrenais.

Diagnóstico

O diagnóstico da amenorreia requer uma abordagem sistemática, com anamnese detalhada, exame físico e exames laboratoriais e de imagem.

1. Avaliação clínica

História menstrual, uso de medicamentos, hábitos alimentares e nível de atividade física.
Avaliação do desenvolvimento puberal e sinais de hiperandrogenismo.

2. Exames laboratoriais

β-hCG: para excluir gravidez.
FSH, LH, estradiol: avaliação do eixo hipotálamo-hipófise-ovário.
Prolactina e TSH: para investigar causas hipofisárias e tireoidianas.
Andrógenos (testosterona, DHEA-S): em casos de suspeita de SOP ou tumores secretores.

3. Exames de imagem

Ultrassonografia pélvica: avaliação anatômica dos órgãos reprodutivos.
Ressonância magnética: útil para investigar hipófise e hipotálamo.
Histeroscopia: diagnóstico e tratamento de aderências uterinas.

Tratamento

O tratamento depende da causa subjacente e do desejo reprodutivo da paciente.

1. Amenorreia hipotalâmica funcional

Restauração do peso corporal e redução do estresse.
Terapia cognitivo-comportamental e suporte nutricional.
Estudos recentes (Lancet Endocrinology, 2024) mostram que a reposição de leptina recombinante pode restaurar a ovulação em casos refratários.

2. Hiperprolactinemia

Agonistas dopaminérgicos (cabergolina, bromocriptina).
Cirurgia transesfenoidal em macroadenomas resistentes.

3. Síndrome dos ovários policísticos

Mudanças no estilo de vida e controle do peso.
Uso de anticoncepcionais combinados para regular o ciclo.
Metformina e inibidores de aromatase em casos de infertilidade.

4. Falência ovariana prematura

Terapia de reposição hormonal (TRH) para prevenir osteoporose e sintomas vasomotores.
Opções de reprodução assistida com doação de oócitos.

5. Síndrome de asherman

Histeroscopia cirúrgica para lise de aderências.
Estrogênios pós-operatórios para regeneração endometrial.

Prognóstico e complicações

O prognóstico depende da etiologia e da precocidade do diagnóstico. A amenorreia prolongada pode levar a complicações como infertilidade, osteopenia, osteoporose e distúrbios metabólicos. A abordagem precoce e individualizada melhora significativamente os desfechos reprodutivos e a qualidade de vida.

Conclusão

A amenorreia é um sinal clínico multifatorial que exige investigação detalhada e abordagem interdisciplinar. Avanços recentes na genética, endocrinologia e imagem médica têm aprimorado o diagnóstico e o manejo dessa condição. O tratamento deve ser personalizado, considerando as causas subjacentes, o impacto psicossocial e os objetivos reprodutivos da paciente. A integração entre ginecologistas, endocrinologistas, nutricionistas e psicólogos é essencial para o sucesso terapêutico e a restauração da função menstrual.