Aspirina: história, mecanismo de ação e evidências

Por seforutil.com | Publicado em 23 de março de 2026

Foto de tablet de aspirina

Descubra a história da aspirina, seu mecanismo de ação e as evidências científicas que comprovam seus benefícios e usos na medicina moderna.

O que é aspirina?

A aspirina, ou ácido acetilsalicílico, é um dos medicamentos mais amplamente utilizados no mundo, com mais de um século de história na medicina. Originalmente derivada de compostos naturais encontrados na casca do salgueiro, a aspirina tornou-se um pilar no tratamento de dor, febre e inflamação, além de desempenhar um papel fundamental na prevenção de eventos cardiovasculares. Diversos estudos publicados na National Library of Medicine (NLM) reforçam sua eficácia e exploram seus mecanismos de ação e potenciais riscos.

História e desenvolvimento

O uso medicinal de extratos de salgueiro remonta à Grécia Antiga, mas o isolamento e a síntese do ácido acetilsalicílico ocorreram no final do século XIX. Em 1897, o químico Felix Hoffmann, da Bayer, desenvolveu uma forma estável e menos irritante do composto, que foi comercializada sob o nome “Aspirina”. Desde então, o medicamento passou por inúmeras investigações clínicas e farmacológicas.

Mecanismo de ação

Estudos disponíveis na NLM descrevem que a aspirina atua inibindo irreversivelmente as enzimas ciclooxigenases (COX-1 e COX-2), responsáveis pela conversão do ácido araquidônico em prostaglandinas e tromboxanos. Essa inibição reduz a inflamação, a dor e a febre, além de diminuir a agregação plaquetária, o que explica seu uso na prevenção de tromboses e infartos.

COX-1: associada à proteção da mucosa gástrica e à função plaquetária.
COX-2: induzida em processos inflamatórios e responsável pela produção de prostaglandinas inflamatórias.

A ação irreversível da aspirina sobre a COX-1 nas plaquetas é o principal mecanismo que confere seu efeito antiplaquetário prolongado.

Aplicações clínicas

1. Analgésico e antipirético

A aspirina é eficaz no alívio de dores leves a moderadas e na redução da febre. Estudos clínicos demonstram que sua eficácia é comparável à de outros anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), embora apresente maior risco de irritação gástrica.

2. Anti-inflamatório

Em doses mais elevadas, a aspirina exerce efeito anti-inflamatório, sendo utilizada em condições como artrite reumatoide e outras doenças reumáticas. No entanto, o uso prolongado requer monitoramento devido ao risco de efeitos adversos gastrointestinais.

3. Prevenção cardiovascular

Pesquisas publicadas na NLM, incluindo grandes ensaios clínicos como o Physicians’ Health Study e o Women’s Health Study, demonstram que a aspirina em baixas doses reduz significativamente o risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral isquêmico em populações de risco. Seu uso profilático é amplamente recomendado em pacientes com histórico de doença cardiovascular, sob orientação médica.

4. Potenciais novas aplicações

Estudos recentes investigam o papel da aspirina na prevenção de certos tipos de câncer, especialmente o colorretal. Evidências sugerem que seu efeito anti-inflamatório e antiplaquetário pode interferir em processos de carcinogênese, embora os resultados ainda sejam inconclusivos e dependam de mais pesquisas.

Efeitos adversos e contraindicações

O uso prolongado de aspirina pode causar efeitos adversos, como gastrite, úlceras e sangramentos gastrointestinais. Também há risco de síndrome de Reye em crianças e adolescentes com infecções virais. A aspirina é contraindicada em pacientes com hipersensibilidade ao ácido acetilsalicílico, distúrbios hemorrágicos e úlceras ativas.

Considerações finais

A aspirina permanece como um dos medicamentos mais estudados e utilizados na prática médica. As evidências disponíveis na National Library of Medicine confirmam sua eficácia e segurança quando usada de forma adequada e sob supervisão médica. Apesar de seu papel consolidado na prevenção cardiovascular e no controle da dor e inflamação, o uso racional é essencial para minimizar riscos e maximizar benefícios.


Referências

▪ National Library of Medicine. Aspirin: Mechanism of Action and Clinical Use. PubMed.
▪ Antithrombotic Trialists’ Collaboration. Collaborative meta-analysis of randomized trials of antiplatelet therapy for prevention of death, myocardial infarction, and stroke in high-risk patients. BMJ.
▪ Rothwell PM et al. Effect of daily aspirin on long-term risk of death due to cancer: analysis of individual patient data from randomized trials. Lancet.
▪ Patrono C, et al. Aspirin in the primary and secondary prevention of cardiovascular disease. N Engl J Med.